É a primeira vez que faço isso. Começo um texto pelo seu título. Vida leve...
Possivelmente eu escreveria sobre esse tipo de agonia no meu blog de poesias... Já que o que me inspira neste momento é dissertar sobre o amor... E... Talvez seja algo inútil e brega. Um paradoxo neurótico... O amor é. Verbo intransitivo como já diria algum poeta masculino aclamado na Academia.
Quanta ousadia... Porque, nem quero dizer dos vários tratados que se vem dizendo sobre a ideia de amor romântico...
Na verdade, pela primeira vez venho falar em primeira pessoa e assumir seu significado pra mim. Num tempo de verdades múltiplas, essa é mais uma composição sensorial nesse mosaico pós moderno mal divulgada em alguma rede social e talvez lida por uma dúzia de pessoas, com sorte. Talvez eu suporte esse risco por justamente significar uma grande probabilidade de palavras ao vento incompreendidas...
Eu pretendia voltar a escrever por aqui quando houvesse alguma ideia genial, algo surpreendente a ser dito, sobre um assunto de grande importância... Afinal, há uma pandemia, atentados, eleições, um incógnito ano no calendário de nossas existências...
E venho eu aqui querer dizer sobre algo absolutamente ultrapassado, dissecado, rotulado, adjetivado, assunto no mínimo múltiplo e poli em tempos pós-modernosos... Ou, quiça, algo transcendentemente novaerístico... Quem sabe, precisamos falar do amor de cristo.
Na bem da verdade, eu sei muito bom o que quero dizer, mas não sei o que dizer. Me vem à cabeça a frase de uma colega em uma aula da pós-graduação (tempos em que a escritora aqui agora assumida debatia ideias no silêncio da mente com o crítico literário que nos dava aula... - eis a minha vingança: os críticos não entendem nada da alma artística, nada!). Enfim... Ela disse algo como: mas a verdade existe. Existe algo que a gente sabe que é verdade.
Existe. Mas existe também a verdade de cada ser, num caleidoscópio de múltiplas sensações. Tal como um caleidoscópio, uma combinação de cores, espelhos e efeitos visuais; todavia, as cores primárias continuam sendo três...
O amor é. A gente que conjuga. Foi a cultura ocidental, que se fez a partir de línguas que necessitam conjugar verbos em tempos e modos, que o emoldurou num quadro... Como se a vida fosse modular e houvesse como dividi-la em passado, presente e futuro... Uma falsificação do eterno agora numa projeção inatingível ou num estado putrefato de tudo que não existe mais...
Eu me achei fútil por querer falar sobre isso. Como escrever um texto pra uma revista feminina da década de 50... Eu, uma mulher tão empoderada não poderia me dar ao luxo de me debruçar sobre tema tão vulgar...
Percebem que eu falo, falo, falo e não parece que esteja bem definido o que eu queira dizer? O amor é isso. Esse incapturável que escapa às definições... Vocês (ou eles, ou sei lá quem...) que querem defini-lo em dias, meses, anos... Datas, pessoas, relações... Família, igreja, religiões... Até em trabalho e profissão quiseram metê-lo.
Amor é estado de espírito.
É deveras mesquinho metê-lo na mensagem não respondida. Na palavra não dita. No papel não assinado. Na cerimônia não celebrada. No abraço não dado. No status não modificado. Na self não publicada. Na falta de anel. No almoço de domingo que não veio. Na ausência de presente. É deveras mesquinho metê-lo no não que a vida te deu.
Esse não também pode ser que seja amor. Todo não traz consigo um sim. O pai que não te ligou, que não esteve presente, porque ele é melhor ausente. O filho que não respondeu porque ia te preocupar mais saber onde ele estava. A pessoa que não te escolheu por saber que você merecia algo diferente. Vai ver ela não respondeu agora, porque mais tarde poderia te dar melhor atenção.
Somos uma geração de mendigos mesquinhos e mimados. Rastejando por não fazerem exatamente as coisas como a gente quer. Diminuindo o amor pra que nos caiba, chamando o "seja feita a nossa vontade" de amor.
Vida leve... Leve essa arrogância da nossa geração.
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