quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Quem cuida de quem cuida?

            Faz algum tempo que eu queria escrever sobre isso... Mas não encontro o tom acertado de dizer... Hoje despretenciei da perfeição, da verdade absoluta, do acerto completo. Vou apenas dizer.
            Comecei pensando na solidão das mulheres fortes. Indaguei uma a uma das que conhecia (e eu conheço tantas que me faz acreditar que toda mulher é uma mulher forte, por força da vida), perguntando-lhes se choravam quando a vida doía. Se partilhavam suas dores. Se reclamavam quando não encontravam a força necessária, a coragem que a vida nos quer. Da maioria ouvi que não. Algumas das quais já me ampararam, algumas às quais já amparei. Mas a força do chorar diante da outra, é raridade. Não acredito de forma alguma que chorar seja um ato de fraqueza. Acredito num nobre ato de grandeza, lavar a alma por meio das lágrimas. O poder mais curativo que existe em nós, pq sai de nós e de nada necessita, apenas de si mesm. Acredito também que a maioria de nós possui essa grandeza, mas não em frente às demais, precisa estar de se afogar pra dentro pra que ocorra de se por pra fora em frente a outrem. E por quê?
            Não tenho nenhuma pretensão de dar respostas. Até porque cada vez mais tenho tido mais perguntas... Diante do inalienável fato de quanto as mulheres são cobradas na nossa sociedade pós-moderna, do quanto a maioria pratica tripla jornada, do quanto a sua conquista ao mercado de trabalho a sobrecarregou sem que tivesse havido divisão das atividades do lar. Do quanto há uma desconexão com nossos corpos, de maneira interna, alijamento e alienação, do quanto há um exercício de controle de nossos corpos aos quais buscamos escapar. Do quanto os índices de violências várias e feminicídios nos assolam. Do quanto fomos ensinadas a competir, a comparar. Do quanto há uma inegável desigualdade social de gênero, e uma brutal aversão à potência do feminino que foi cultuada durante séculos, inclusive culminando no esmagamento da potência feminina criadora, Mãe-Terra, amada Gaia, violentada abruptamente em nome da ganância do macho poder. Então, se não está, que fique bem claro, esse texto é para quem já tem aceitação desses fatos.
            Dito tudo isso, o dialogo parte para se pensar com os homens que já compreendem o quanto esse esmagamento do feminino sufoca a todes nós, e sobre os homens em geral. Perguntei sobre chorar a alguns, na frente do amigo, se dividem suas dores, Um me disse que diante do efeito do álcool eles se soltam. Quem cuida de quem cuida? A pergunta passou a ser: quem cuida? Quem cuida de quem? Havia num tempo remoto a ideia de que o homem cuidava de prover a casa. Cuidava dos seus. Era uma ideia de homens brancos para homens brancos, é importante lembrar.
            Tá confuso mas é meio isso, tudo junto, porque nada é isolado... por que associar cuidado a choro? Já cuidou de alguém? Cuida de si mesm? Já sentiu o peso de não saber o que fazer? A impotência da responsabilidade do cuidado, de ter respostas, de ter recursos, e não ter respostas, não ter recursos... E o que se faz até encontrar as respostas e os recursos? Engole o choro, ou põe pra fora... Mas ele tá ali, nascido da sensação de impotência, de sobrecarga. Parido ou abortado.
            Não sabendo dizer se os homens cuidam de alguém, se sentem essa responsabilidade, fiquei pensando se eles cuidam de si mesmos... Se sentem essa responsabilidade. Desde as coisas básicas do cotidiano, até o autocuidado. Ou se estão sempre responsabilizando mulheres por todos esses cuidados, dos cotidianos aos emocionais, da namorada, crush, amiga, psicóloga (sim!! é uma profissão majoritariamente feminina), à mãe, professora acolhedora, a vó, a tia, a irmã, a filha... Ainda assim, choram? Acredito que esse peso social sobre a masculinidade pese... Não que eles morram por isso como nós morremos. Mas, como diz a música, "também morre quem atira".  Se tenho falado sobre construção e reconstrução constantemente aqui, é preciso acreditar nisso, nesse algo de possibilidade da potência de vida. Então, talvez, seja justamente por essa dificuldade em se autocuidar que se tornem os homens muitas vezes perdidos e alijados de sua própria existência. Porque até procurar uma psicóloga pra eles é muito mais difícil.
            Quem cuida de quem cuida? Alguém cuida de alguém? Temos nos cuidado enquanto sociedade? Temos trabalhado no nosso autocuidado? Temos cuidado? Tenho repetido como refrão de música, vivemos tempos onde os paradigmas forma quebrados. E há a indefinição dos papeis sociais. Então, difícil dizer hoje quem cuida de quem e de quem seria a responsabilidade do cuidar. E, sim, o autocuidado é FUNDAMENTAL. É fundamental para o instinto de sobrevivência saber cuidar de si mesm, desde as questões externas de sobrevivência cotidiana, até as questões emocionais. Mas vamos além? Que esse discurso muitas vezes tá vindo como mais uma imposição de disco de vitrola quebrado... (favor, uma analogia de gente jovem que agora não me ocorre nenhuma... rs). O autocuidado é fundamental, mas mais do que uma ordem, um imperativo, precisamos compartilhar como fazer isso. Que apenas: cuide-se! Pra quem não foi ensinado como faz isso, e na geração da comida de 3 minutos comprada no mercado, isso não tá na prateleira muito menos fica pronto em três minutos...Tem dado mais desespero do que colaborado.
            Quem cuida de quem cuida? Quem cuida de quem? Cuidemos todes de todes. Simplifica bastante. Compartilhemos mais como quem também é frágil e chora na frente do outro, mas que hoje eu descobri isso daqui que é bom pra se cuidar, e você me diz o que aprendeu, e a gente chora e ri juntes. Não cuidemos com o peso da responsabilidade imperativa, cuidemos com a leveza da beleza da troca. O outro, a outra, não é minha responsabilidade, mas pode ser uma doce companhia de choros e risadas. Menos verbos no imperativo, mais perguntas sinceras.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

A outra margem do rio

            Você não entendeu direito. É o mais provável e mais possível. Quando estudamos linguagem, muitas das filosofias e estudos voltam-se ao fato de que o significado está no outro. A linguagem é simbólica, e sua interpretação depende do repertório de vivências e significados que a outra pessoa com quem conversamos traz consigo.
            Não tenho o menor controle sobre o que você que está me lendo vai compreender do que está dito aqui. Para a filosofia budista, isso é entender além da ilusão do controle, não tenho controle sobre o outro, sobre você ou sobre qualquer outra pessoa, seus sentimentos, intensões e ações. Se temos algum tipo de relação pessoal e você é uma pessoa egocêntrica, é possível que compreenda que escrevi todo um texto para lhe enviar uma das hoje conhecidas como "indiretas das redes sociais". Se eu sou paranoica e acredito que alguém vem até aqui para saber da minha vida, talvez seja possível que eu acredite estar enviando uma indireta. A única verdade é que, simplesmente, não sabemos. E o que entenderemos desta situação, deste textão, vai muito além da relação direta entre mim e você. E assim é em toda situação de comunicação.
            Incomunicáveis. Essa é a sensação que temos em meio a era digital. É muita informação. É muito barulho. De igual modo e proporção, é muito ruído na comunicação. É muito eu achar que estou dizendo uma coisa e você entender outra e vice-versa. Ao mesmo tempo, o verbo no imperativo é o que predomina: faça, não faça! Desapegue-se! Sinta! Seja! Ame! Não crie expectativas! O que esperar onde não se pode esperar nada... Na verdade, dizemos isso o tempo todo (ou ao menos na minha bolha vejo sempre...), tudo é impermanente. Inclusive esse texto e seu significado... Mas é uma jornada viver num mundo onde se espera que você esteja no controle absoluto, tenha informação sobre tudo, seja bem formado e informado, onde se acredita ainda poder ir além da morte, clonar pessoas, brincar de deuses, criar novas espécies, controlar as ações, os passos, os algoritimos, os ratos, e em algum momento entender o quanto isso é insano e parar a roda que gira, gira, gira, como a nossa mente a volta com tantos pensamentos e sentimentos... tão solitários parecemos... Em meio a tanta gente e tantas palavras... Esperamos por aquela like ou compartilhamento que enfim nos diga que há um ser ao menos que divide conosco angustias e prazeres...
            Mas fiquemos tranquilos. Não estamos mesmo a sós. É a Torre de Babel (e é mesmo!). É muita mudança em pouco tempo. São muitos valores sendo revistos. Ainda estamos avaliando o impacto de tanta coisa nova. Do pessimismo ao otimismo. Da euforia à exaustão (talvez a bipolaridade seja também uma pandemia...). Quiça, e não por acaso bombam diversas técnicas terapeuticas, principalmente ligadas ao mindfulness (atenção plena no momento presente), ou adesão a práticas como meditação e yoga. Apenas inspire e expire. Apenas esteja aqui e agora. Apenas silencie. Não à toa, e pra quem já teve e sabe como é, crises de ansiedade e pânico tem a ver com achar que vai parar de respirar...
            Estamos convivendo ao mesmo tempo com pessoas arraigadas em valores tradicionais, com quem quer mudanças pra ontem... Quem já entendeu que precisa de um equilíbrio no meio disso aí e tá tateando como... Alguns donos da verdade... Outros imersos no silêncio, talvez por prudência, saúde mental ou receio de ser atropelados pelos donos da verdade... No meio disso tudo, encontrar pontos de contato para construir pontes e dialogar é um desafio. Um desafio não estar limitados às chamadas bolhas, apenas interagindo com quem achamos que pensa exatamente como nós. Mas um desafio mais profundo, que é ir além da superficialidade do diálogo. Porque mesmo na nossa bolha, quanto mais adentramos os universos, mais descobrimos pontos de contato e, tanto quanto, de divergências. Estar disposto a construir pontes é o que permite que duas verdades se encontrem no meio do caminho e quiça, talvez não se convençam uma da outra, pois, já dizia Saramago, querer convencer alguém é uma intenção de colonizar o outro... Mas possam bailar em silêncio admirando o mesmo pôr-do-sol (do alto da ponte, é sempre mais bonito...).
            O maior desafio nisso é que pontes não se constroem sozinhas. Pela lei da gravidade, pontes só podem ser construídas a partir dos dois lados, tijolinho por tijolinho, até se encontrarem no meio do caminho...
            É um desafio você ter chegado até aqui. Até o fim desse texto. É uma disposição. Além da troca fugaz de mensagens rápidas e de memes. Ainda assim, sem buscar a verdade acadêmica de uma tese. É um desafio continuar por linhas de quem te diz que você não entendeu nada... A disposição de continuar a dizer sem construir muros, sem interromper o diálogo... O esforço de tentar continuar a construção da ponte, ainda que talvez o seu começo tenha sido tão torto que não seja possível de se encaixar... O tal do controle... Nem todos somos engenheiros e arquitetos para calcular com exatidão se essa ponte vai dar certo... E se todos quisermos esperar pelo diploma que confere o título possível para só então começarmos as construções... É uma das possibilidades do pq talvez estejamos ainda gritando de uma margem e outra sem se entender muito bem... Até desistir...
            Outro desafio possível é pegar seu barquinho e ir até a outra margem, sentar em silêncio ao lado do outro ser. Olhar a paisagem do lado de lá. Em silêncio. Convidá-lo à sua margem. Fazer coisas humanas que independam de palavras. Mas que ainda assim exigem o grande desafio da boa vontade. Do que não está pronto. Que não tem receita no verso nem no youtube. Que não fica pronto em três minutos. Que não tem controle remoto.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Número da sorte... ou a porra do xadrez... ou... até a gelada do sextou! (na vdd é sobre o céu escuro de agosto/2019)

            O que eu posso fazer?... Era a pergunta do fim do dia depois do céu preto, do dia que virou noite. A pergunta do amanhecer era: quem risca o fósforo? Quem risca o fósforo? Quem risca o fósforo???... Sou capaz de apostar minha preciosa vida que não seja alguém engravatado. Posso apostar a minha preciosa vida que quem assina da cadeira da presidência é peão nesse jogo de xadrez. (isso não mínimiza a sua participação e influencia, apenas coloca as coisas em seu devido lugar.) Volto à pergunta inicial: o que eu posso fazer?... Nada não é resposta. Se matar, resolve o seu problema, depois do enterro ainda haverá animais correndo queimados. Tocar fogo no que falta? No Congresso? Seguir a rotina, como se nada houvesse, pq hj o dia amanheceu com o seu azul?... Largar tudo e ir morar na praia, antes que o mar seja inteiro de plástico e Iemanjá comece a devolver os animais intoxicados que nos lhe deixamos. Esperar a volta de Cristo, qnd vc que amou tão profundamente a ponto de ter expulsado o filho de casa em nome da família cristã será resgatado com muito amor, e o resto dos pobres mortais queimarão no mármore do inferno (juro que pro bem da sua alma, espero que acredite mesmo estar certo e boa sorte pra hora da sua partida...).
            E em meio a essas questões, ouvindo Criollo (e é tão foda ouvir alguém que saiu de onde vc saiu... essa coisa de identidade é um bagulho loko...): as pessoas não são más, elas só estão perdidas! Que a minha música possa te levar amor. Que o meu texto possa te levar amor. O que eu posso fazer? Muitas coisas, dentre elas esse texto. Quem risca o fósforo?... Alguém profundamente desconectado de si mesmo. Alguém que não enxerga o efeito em si de riscar o fósforo, pq volto a afirmar, duvido infinitamente que um engravatado levantou a bunda do seu lugar pra se dar a esse trabalho. Possivelmente, sim, rolou muito dinheiro pra isso. Ou nem tanto. Mas dinheiro não se come nem se respira... nem se bebe... Vejo a imagem do garimpo, de alguma forma me vem Serra Pelada. ou qualquer uma dessas imagens insanas de vender a vida por ganância... Pelo que estamos trocando nossa alma?
            Quem risca o fósforo? O voto nulo. A abstensão. Apenas? Quem votou no número da sorte não tem nada a ver com isso?... O inferno são os outros, mas vai faltar ar pra todo mundo... Ninguém riscaria o fósforo se o outro candidato tivesse ganhado?... Temos certeza, podemos garantir que ninguém teria riscado o fósforo?... Se tivermos essa convicção, podemos nos degladiar em dedos apontados pro vizinho malfeitor que votou movido pela força do ódio, e nos odiando mutuamente, ter razão. Ainda assim, as árvores não voltam, nem os animais. Nenhuma vida. Nada do que esse ódio tem disseminado volta. O caminho do ódio é o caminho da perpétua destruição.
            Sabe o que o preso político do voto do número da sorte disse faz pouco tempo: jovens, parem de reclamar nas redes sociais, e vão trabalhar, construir alguma coisa. Chega de destruir, galera. Se odiar, apontar o dedo te resolve a vida, expurga sua responsabilidade de estar sentado, levando a mesma vida, como se as coisas pudessem voltar a ser como eram, lamentando, infinitamente os 13 anos que não voltam, mas nos quais possivelmente vc tb era uma pessoa sentada reclamando das decisões do governo... Nada, absolutamente nada, do que foi será denovo do jeito que já foi um dia. As medidas que vem sendo tomadas tem impacto para os próximos vinte, trinta, cinquenta anos. E. a não ser que vc se suicide amanhã (que só vai resolver a sua vida, dá despesa pra família, enterro é caro, o mundo tá um caos, e, putz, sinto muito mesmo ter que dizer isso, mas eu vou dizer, é atitude puta egoísta e torça muito pra que acabe, mesmo. Pq em qualquer possibilidade de vida após a morte, tu tá fudido). Enfim, a não ser que sua vida acabe amanhã, não há zona de conforto possível. Aposentadoria, estabilidade, folga aos finais de semana, férias, ar limpo, verdes matas, adorável passeio no mar... Com muita sorte, as mudanças climáticas não atrapalham a produção das substâncias alucinógenas, mas... A vaquinha no pasto, cujo coco dá lindos e belos cogumelos, dá a porra do gás metano tb né...
            Sabe o que é foda?... A gente tava pouco se fodendo né... Qnd dava pra xingar muito nas redes sociais, fazer um churras dahora no domingo e trocar de emprego qnd enchia o saco, a gente tava pouco se fodendo... Tava achando que esse papo aí de ambiental era um bagulho pras próximas (distantes) gerações... Juntava as latinhas do churras pro tio firmeza que  passava pra pegar, fazendo a nossa parte..., e vivia a vida como se não houvesse amanhã (mas na paz de que haveria...). Porra, véio, que merda que foi essa porra de céu escuro no meio da tarde mano?... Fudeu até com as ilusões... Ainda dava pra acreditar né... Fingir não enxergar os impactos... Ainda dá né... Fé que até o sextou já parou de aparecer isso na timeline e já dá pra tomar aquela gelada bem feliz!!!... (sem canudo, por favor!)
            Mas o que eu posso fazer?...Bom, eu já fiz! um textão dahora, agora tô bem mais em paz!! hehe (na vdd é tudo coisa de esquerdista!! Essas fotos de incêndio, notícias, fotos de satélites, denúncias... Tudo coisa dos hackers... Tudo mentira!... É mito!!)
            Soluções? Por acaso pareço com cara de poção mágica?... Tem uma, os extraterrestre me cochicharam no ouvido, vou passar igual receita de bolo!:

1. Mantenha-se vivo;
2. Carpe Diem!
3. Mantenha-se saudável... (Fudeu nessa né... Tá comendo kilos de agrotóxico... só nisso já vai ter que mexer a bunda pra mudar alguma coisa...);
4. Cuide da sua saúde mental como seu bem mais precioso, esse é seu ato mais revolucionário no momento.
5. Amar ao próximo COMO A SI MESM (ame-se!). Jesus que me dê licença pro adendo, o próximo inclui as árvores, os animais e todo ser vivente.
6. Não vote em facistas!
7. Descubra-se o mais breve possível e comece a construir algo.

FIM.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Somos homens e mulheres livres ou... Não confie em quem te ama incondicionalmente!!

            Acho que isso vai acabar virando um daqueles blogs de autoajuda poética, muito na moda hj em dia... Uma necessidade de dizer que estou ajudando a vc, caro leitor (uia, qse um Machado!!!...), qnd na vdd estou me autoajudando, muito embora isso seja a criação de um pseudoheterônimo... (ares de Fernando Pessoa... e uma introdução que diz e nada diz do assunto à la crônicas nelsonrodriguianas...).
            Na vdd eu queria dizer algo sobre... Não confie nas pessoas que te amam incondicionalmente!!!... O nome já diz tudo, são pessoas que te amam além das condições... Um amor genuíno... Mãe, pai, irmãs, amigas-irmãs... Amigos em geral... Por dois motivos: ou estão tentando te proteger ou estão projetando suas vidas em vc... Na vdd, há duas pessoas em quem se pode verdadeiramente confiar: vc mesm e sua terapeuta (que está sendo paga pra não te agradar). E na vdd, a primeira só vale se estiver/esteve sendo acompanhada pela segunda...
            Sim, é um fenômeno (pós) moderno. Mas a vdd, talvez a única realmente confiável em tempos líquidos, é que saúde mental é uma prioridade numa sociedade insana, onde as coisas fazem cada vez menos sentido, e, tanto quanto ir ao mercado, ir à terapia deveria constar na lista de prioridades. Não é tão difícil entender pq... Os padrões se quebraram, desconstruímos pra caralho, agora precisamos construir algo, que, além de uma nova sociedade, inclui a si mesmo e sua verdade. Poderia dizer que isso desde os filósofos da Antiguidade, mas não vou dar esse crédito a um bando de homens brancos livres o suficiente para andar filosofando enquanto caminhavam ao redor dos muros da cidade...
            E, enfim, o que estamos aprendendo, é a sermos sujeitos de nossas próprias histórias... Algo realmente inédito enquanto fenômeno massivo. Pq vai além de tocar fogo na Bastilha por conta dos altos impostos, vai além de destruir, é sobre construir.
            E des-cobrir-se sujeito, é também descobrir o potencial de merda que se é capaz de gerar na própria vida. Tudo bem que agora cagar todo dia possa ser um ato revolucionário, mas a gente sabe o quanto isso é insano... Insano ter que fazer merda pra contrariar um potencial Nero. Ou insano talvez seja justamente não se saber mais o que seja realmente insano... Onde tudo é insano, nada seria insano...
           Tá cansativo né?... Por isso não dá pra olhar pra fora, não é clichê apenas essa coisa de olhar pra dentro... Não é só pq tá na moda, ou não é à toa que esteja na moda... È muito barulho, é muito falatório, silenciar é necessário, é saudável. Não sabe onde pisar, por onde ir, a sociedade não faz sentido... Já desconstruiu pra caralho?... É hora de construir algo, senão implode... E começa por se construir. E voltamos à ideia do sujeito de si... Sim mana, a gente é capaz de fazer essa merda toda na própria vida...
            A ideia inicial do texto era falar sobre aceitar a própria verdade para poder aceitar a verdade do outro... Aceitar a verdade do outro, pra poder aceitar a própria verdade... Sabe essa história de... Esse emprego não te merece, essa pessoa não sabe o que tá perdendo... Se olhar como sujeito é inverter a pergunta... Eu mereço esse emprego?... Eu sei o que eu estou perdendo?... Posso formular isso desde a Teoria de Cordas (de que tudo no universo é vibração! Eu atraio o que vibro. Dá uma pesquisada, não é só papo místico, é uma teoria física!) até com o existencialismo filosófico... Sou um sujeito de escolhas. Ou pela Análise de Discurso: essas duas frases te objetificam gramaticalmente...
           Realidade, primeiro se aceita, depois se muda (se escolhe outras possibilidades). O cara que propôs revolução, primeiro fez um diagnóstico da sua realidade (faz uns dois séculos, tem um tempinho, essa realidade já deu uma mudadinha...). Esse emprego é pura exploração, o cara só quer lucrar em cima do trabalho dos outros! Ah vá! Sério mesmo?... Nossa, será que se trocar, resolve?... Quais as probabilidades dentro do sistema em que vivemos?... Mas não há escolha, então!... Tipo... o planeta tem milhões de anos né... Suponho que não tenha sido sempre assim e pela mesma lógica não deva continuar sendo... Só não sei se muda xingando muito nas redes sociais, expondo, mudando de emprego de ano em ano... (hum... nem isso tá dando mais né... senti uma saudade de uns tempos aí...) resolve... Enfim...
            O "patrão" (pra ficar didático... não sei se é a melhor palavra...) querer mudar... Hum... Quem sabe numa crise existencial né... Pode acontecer... Sei lá... Ás vezes tá bem dahora pra ele... Sabe... Ficar esperando escolhas diferentes de quem não tem pq fazer outras escolhas... A pessoa muda, pq todo mundo muda... na hora em que quer, do jeito que quer, pq quer...
            E isso é libertador, sabe pq?... Pq assim descubro que posso mudar: na hora em que quiser, do jeito que quiser, pq quero...
           Isso vale pra relacionamentos, desde os familiares, de amizade, afetivos, profissionais. Aceitar que da mesma forma em que sou sujeito, o coleguinha tb, o crush tb é... Por isso disse: não confie em quem te ama incondicionalmente!!... Provavelmente, a primeira coisa que vão te dizer é: ele não te merece, ou, não sabe o que tá perdendo!... Primeiro, a vida não é meritocracia, isso não funciona nem pra quem acredita que funciona... E vc não é um objeto, um grande troféu meritocrático que confere status a quem vos queira... Segundo, vc não é um objeto passivo de posse!!! Somos sujeitos!! E o ser humaninho, enquanto sujeito, tem total direto de querer ir embora, de querer algo diferente, ou o que quer que seja... E qual a melhor parte?... Vc tb!!!... A melhor parte é saber que se é alguém que pode escolher, que tb pode escolher ir, não querer, etc, etc, etc... A qualquer hora, em qualquer lugar, situação... Por qualquer causa, motivo, razão ou circunstância... Vale pro emprego, vale pra família, vale pra amiguinhs.
            (O mais dahora nisso é saber que ficamos pela vontade de dois sujeitos que realmente querem. Denovo, vale pra família, amigx, etc. É dahora quando duas vontades se encontram, taí a mais pura beleza da vida!!... Mas inexoravelmente, em algum momento as coisas mudam... Taí a beleza da vida!!!... Não é à toa que todo mito sobre imortalidade trata da angústia do tédio do infinito não fim... deuses imortais precisam de guerras pra se distrair... sem a possibilidade de mudança, sem o direito de escolha de vida e morte, o caminho é o caos...)
           Somos homens e mulheres livres!... E em qualquer época ou lugar, por mais anacrônico que isso pareça, essa é a realidade ou, no mínimo, o motivo pelo qual a realidade se move.

Bruta realidade

      Ahhhh faz tempo... Faz tempo que não escrevo por aqui... Haveria um motivo?... Talvez a dificuldade em ordenar racionalmente as ideias...