Saber de cor é saber de coração. A expressão que usamos para dizer que sabemos muito bem alguma coisa é quando associamos que de-COR-amos. Em algum momento do caminho da existência humana, deturpamos os chamados do coração.
À sacralidade do sentimento que dá liga à vida e às vivências humanas, atribuímos as demarcações de terras da posse, da família restrita à divisão de herança, aos contratos, ao amor individualista que torna posse aquilo que diz amar, trata-se de bicho, trata-se de gente, sexo, de relações, seja o que for.
Não sabemos muito bem como isso se deu passo a passo nas diversas formações sociais, mas sabemos que isso é um fato na cultura que se espalhou além-mar, colonizando povos e modos de existência. Não foram os primeiros na história humana a fazê-lo, mas foram os que deixaram registrados seus feitos para contá-los nos mais variados suportes que haviam inventado e viriam a inventar, memificando sua própria história, a partir do seu próprio olhar.
Essa forma de contar seus feitos aboliu de seus registros a primeira pessoa, fica instituído olhar o outro como um terceiro, mediado por sei lá o que que não é o diálogo da segunda pessoa, é olhar distante, que torna tudo estranho, das artérias da Mãe-Terra às artérias de todas as gentes. Costumava brincar em aulas de gramática que "sujeito inexistente" era a plena negação das divindades, o que fizera chover? Deus? São Pedro? Nanã choveu. Não era aceitável para o homem que acabava de se inventar no centro do mundo.
O homem branco europeu que acabava de se inventar no centro do mundo deslocara o centro das suas janelas (usando a linda expressão dos povos americanos originários para função semelhante ao que os hindus chamam de chakras) para a cabeça, sobrecarregando seu terceiro olho a ponto de cegá-lo. As divindades, de fato, lhe eram incompreensíveis. Seguimos por essa mesma lógica até os dias atuais, com o cardíaco travado, sem filtrar pelo amor incondicional (aquele que não coloca condições para amar, que não restringe o amor ao que possa dele receber...), sem saber filtrar as emoções que recebe das que expressa, voziferando verdades muitas vezes pessoais como universais, impondo pelo poder da palavra escrita, a única que valida como lei, incontestável porque assim transmitida, de maneira única, após assassinar boa parte de toda ancestralidade que poderia lhe acrescentar outras formas de saber.
Mal sabia ele que a lei mais imutável deste mundo é A Tempo (acabei de atribui-lhe feminilidade, por toda sua potência, merece estar equilibrada entre energias masculinas e femininas, criando e repartindo a vida). E, aquém de todas suas palavras escritas, a verdade é sentida, seu modo de existência é insano, adoecedor e está matando a todas formas de Vida. E a ancestralidade renasce. Morreu como adubo da terra. Traz mensagens pelo vento. Iansã há de lhes carregar como suspitro sussurrado a quem se permita ouvir.
Mas homens brancos continuam de coração fechado. Ainda acreditam que é possível exterminar as vidas de petras e pretos velhos e jovens, de xamãs, de caboclos e êres. São homens velhos e doentes. Os poucos que restam, em breve hão de morrer e a Vida há de renascer.
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Bruta realidade
Ahhhh faz tempo... Faz tempo que não escrevo por aqui... Haveria um motivo?... Talvez a dificuldade em ordenar racionalmente as ideias...
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Como isso está difícil... E olha que me expressar sempre foi meu forte... Eu iniciei e apaguei... Sinto que me devo um texto de 202...
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Ahhhh faz tempo... Faz tempo que não escrevo por aqui... Haveria um motivo?... Talvez a dificuldade em ordenar racionalmente as ideias...
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Em 26 de março eu disse: Convoque seu buda. Outro dia, já faz um tempo também... Eu disse que escreveria mais... Tô tão angustiad...
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