quarta-feira, 2 de março de 2022

A insustentável irresponsabilidade do ser

          Eu tô meio borocoxô... E nessas horas eu escrevo. Escrever pra mim é existencial e é terapeutico. Nessas horas geralmente eu procuro meu blog de poesias, que me permite "palavras sem sentido"...Sentido seria algo como, onde se quer chegar. Mas a minha necessidade existencial de hoje é chegar em algum lugar, porque às vezes, e bem mais ultimamente, a falta de sentido tem me gerado angustia. Preciso encontrá-lo, mas por quê? "Pra quem não sabe onde ir, qualquer caminho serve". Eu sei bem onde quero chegar, fiz esse roteiro, esse "projeto de vida" ontem. Meus chakras estão alinhados, minha casa está limpa. Meu filho há pouco disse que me ama.  Ainda assim, de onde vem essa angústia?

       Busquei a etimologia da palavra angústia, uma pesquisa muito bem embasada do top do google... É o que tem pra hoje. Sofrimento. Do latim, estreitamento, aperto. Sinto um aperto na garganta. Por isso, pra desatar o nó, escrevo. Há poucos dias tive uma infecção, ainda tomo antibiótico, pra boa leitora do psicossomático, faltou-me expressão, mas expressar o quê? 

       Vou percorrer alguns caminhos ainda sem saber bem porquê eu preciso de uma explicação, e, diga-se de passagem, uma explicação pública. O aperto é real, nó na garganta. E um quase choro me vem numa respiração profunda. Donde vem?

       Eu quero respostas, mas no fundo, a vida é feita de perguntas. Tenho pra mim uma filosofia existencial que forjei na minha vivência: no fundo, a gente sabe as respostas. Mas nem sempre as aceita. Cabe então a saga da eterna busca das perguntas certas. 

      Frustração. Com o quê? Encontro caminhos, eu sei as respostas. Quais seriam as perguntas? Seria eu tão mesquinha a ponto de estar borocoxô por conta de alguém? O mesmo alguém denovo? Eu sei a resposta, isso é sintoma, não é a causa. Nunca estamos assim por conta de alguém. Eu sei a resposta. Eu sempre sei a resposta. Só não sei se já fiz a pergunta certa sobre essa questão. E se eu já fiz, eu já sei qual é a frustração. Mais frustrante do que não saber o que fazer é não ter o que se fazer. A não ação, por incrível que pareça, é mais difícil que a ação. Aceitação. Habilidade a se desenvolver. Uma ariana nasceu pra ação. É ousado desafiar nossa própria natureza. Mas eu escolhi assim (devo ter escolhido, prefiro acreditar que sim). Qual a pergunta certa? Haveria escolha?

        Trabalho. Outro caminho. Mesma resposta. Frustração. Com o quê?... Não sei se quero falar sobre isso. Mas eu talvez também saiba a resposta. Por que essa necessidade de perfeição, por que tanta autocobrança? Talvez a resposta seja a mesma, muito cabe à minha ação neste caso. Muito não cabe à minha ação neste caso. E não tá tudo bem. Mas eu tenho que lidar. Porque eu gosto de conseguir pagar os boletos. E realmente adotei a máxima "prefiro ter paz do que ter razão". E daí eu poderia tecer uma longa conversa sobre o neoliberalismo e essa filosofia do fim, onde apenas o capitalismo é triunfante. Não mudaria minha realidade factual atual. Foi muito doloroso o caminho até essas conclusões, voltar atrás seria voltar num caminho de dor e eu escolho não voltar a percorrê-lo (a tortura simbólica de coagir a si mesmo da era contemporanea? Quem sabe...Dessa resposta não tenho tanta certeza, pode ser só uma birra da minha criança interior frustrada por ser contrariada. Pode ser as duas coisas). Qual a pergunta certa? Haveria escolha?

        Guerra. Seria eu tão empática ou tão hipócrita? Incomoda-me de fato a guerra ou o fato de que viver na minha bolha não me faça me incomodar de verdade com a guerra? Ou talvez eu esteja fugindo de informar-me sobre o fato, numa alienação consciente pela qual tenho optado nos últimos anos, principalmente depois da distopia da realidade br, em nome da minha saúde mental. Eu sei a resposta: toda guerra é absurda, embora esse fato apenas beneficie os senhores das guerras que com elas lucram a despeito de qualquer escrúpulo. Qual seria a pergunta certa? Haveria escolha?

        Haveria escolha? Não havê-la é vitimismo. Havê-la é pesada responsabilidade. Seria essa a "insustentável leveza do ser"? 

        A verdade é que eu gostaria de ser irresponsável e a maturidade tem a insipiente necessidade de me roubar isso. 

        Sim, escrevi tudo em primeira pessoa do singular. Não ousaria chamar a mais ninguém de imaturo e irresponsável. 

        Se não faz sentido, ao menos percorri algum caminho, o nó na garganta diminuiu. A pergunta certa talvez seja aquela que a gente nunca faz. Quem sabe na minha morte eu me encontre com as questões verdadeiras e seja esse o fim. Minha terapeuta sempre me fala que eu procuro por um desfecho e uma completude que só é possível no fim. Talvez até o fim nada faça sentido, o sentido se faz no fim, quando olhamos pra trama inteira. 

        Qual a pergunta certa? Não faça perguntas! É mais responsável  e mais seguro ter todas as respostas sem questioná-las!


Um comentário:

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Bruta realidade

      Ahhhh faz tempo... Faz tempo que não escrevo por aqui... Haveria um motivo?... Talvez a dificuldade em ordenar racionalmente as ideias...