quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Bruta realidade

      Ahhhh faz tempo... Faz tempo que não escrevo por aqui... Haveria um motivo?... Talvez a dificuldade em ordenar racionalmente as ideias... Talvez a vida esteja um caos sem minuto para me sentir a beira da escrita de fruição, sem mais nem por que... Apenas ser... Talvez muito pela minha insistência em esperar por momentos e lugares perfeitos para as coisas acontecerem, uma idealização da vida, um perfeccionismo que aguarda pelas condições exatas das coisas acontecerem enquanto a vida simplesmente passa...

     Agora eu simplesmente escrevo sentada no sofá, sem postura adequada, minha escrivaninha inundada de coisas aleatórias de uma mudança que (pela deusa!!!...) já faz um mês que fui obrigada a fazer e ainda não consegui me organizar, a vida real que me atropela sem sentido e faz seu próprio sentido sem me perguntar ou se importar muito se pode ou se eu vou gostar... Bruta realidade, tenho-na chamado...

   Sobre o que eu quero falar?... Não sei ao certo, acho que desses ideais irreais... O quanto essa idealização da vida e esse romantismo barato nos faz mal e nos rouba a própria vida de ser vivida... Hoje escrevi num stories que o romantismo é um ideal de morte. Fiquei refletindo sobre o que eu mesma disse... Mas é que esperar por aquilo de melhor que a vida possa ser é matar toda vida que já é...

      Fico me perguntando onde quero chegar... E sim, tenho sonhos ambiciosos e acho isso muito saudável. Ser uma mulher periférica ambiciosa já é em si mesmo um ato revolucionário. Mas... A verdade é que a gente não tem nem certeza se se está viva amanhã. E a vida é o que acontece enquanto a gente espera... 

    Não é minha especialidade, mas eu sei que numa língua indígena, há um nome para cada momento da árvore, quando se é jovem, mais velha, quando se está podre (como é o caso de Ibirapuera, que significa "pau podre"). O que indica a passagem de tempo não é um verbo (tratando um passado como perfeito ou imperfeito...), ou um adjetivo que qualifica,  mas cada ser tem um nome, é algo em si mesmo, algo que traz junto o tempo em si. 

    A mulher que sou hoje é única. E traz junto o tempo em si. A menina que fui é única do momento em que foi menina. A criança é única. A jovem é única. Um dia me achei uma colcha de retalhos. Mas hoje me tenho por inteira. Única, no momento presente em que estou. Atravessada de mudanças e medos. Com frio na barriga, sonhos, esperanças, dores curadas e cicatrizes. Não tenho como ser quem já fui. Não tenho como ser quem ainda não sou. Penso muito em sair da Educação. Mas hoje sou também a educadora frustrada. A escritora cada dia mais madura e segura, poética como sempre. Poeta sempre. A poesia me alimenta e permite estar viva. A poesia da menina, da criança que corria, era o vento na cara e o coração acelerado... Não deixa de ser a mesma poesia. Mas única. Pra mulher adulta de hoje é indissociável correr pela saúde, por um corpo sexualmente atraente. Correr não tem mais a mesma poesia. Escrever um ensaio tem poesia. A mulher, tão poeta quanto a menina, tem sua própria poesia. Cada uma uma em si mesma. 

    Então... o que está do lado de lá da ponte dos sonhos e desejos, das idealizações que buscam superar imperfeições é aquilo que não sou, não é e nem nunca será. Porque o sabor da realidade vivida é sempre único. Agradeço de alma porque as dores também não voltam. Não as louvo. Nem rechaço. Eu não seria eu sem as minhas cicatrizes e amo a mulher que sou. Mas é bom demais saber que elas não me pertencem. Sinto muito pela criança, pela menina, pela jovem, pela mulher, por cada uma de mim que precisou de dores para aprender. Sinto muito e lhes agradeço por serem tão fortes e terem parido a mim. A mulher de hoje. 

    Por que será que então insisto e busco um lugar onde não estou, um além de mim? É impossível não estar suscetível à sociedade onde se vive... Embora eu tenha consciência dos padrões impostos pelas redes sociais, sou tão humana quanto todos nós e é tão irreal não sê-lo... Onde nos vendemos cotidianamente e consumimos (gratuitamente pago com nosso tempo de vida, cada dia mais raro e mais caro...) padrões e modelos de vida de tudo aquilo que deveria ser e que não é. Ainda quando nos pretendemos desconstruídos, desconstruir sem construir é apenas deixar um espaço sempre vazio para aquilo que não é e que precisa ser. 

    Dicas de beleza, de auto aceitação, auto estima, produtividade, ganho financeiro, lacres e fechos, apontamentos, desconstruções, de tudo aquilo que precisa ser, que pode ser, mas que não é. Há sempre a próxima meta, o próximo quilo, o próximo peso, a próxima corrida, o próximo show, o próximo vídeo, o próximo nudes, o próximo rolê, a próximo dopamina. É uma corrida insana rumo a tudo aquilo que não se é, que ainda não é. 

    Eu já tive fases de mais silêncio, meditação, melhor alimentação, atividade física, menos dinheiro, mais dinheiro, mas não sabia estar feliz porque sempre tinha o próximo passo, a próxima meta, tudo aquilo que eu ainda preciso postar. Nada disso é consciente. E eu não vou rechaçar o que me permite me comunicar com mais pessoas, logo eu, que existo enquanto alma pela minha comunicação. Mas eu não quero mais matar aquilo que é. 

    Eu permito a existência das minhas imperfeições. Das minhas relações e dos meus amores que não são ou foram como eu gostaria num mundo ideal que existissem. Mas que são o que são e me fazer ser quem eu sou. 

    Aliás (e acho que vou encerrar por aqui...) em matéria de relacionamento temos PHDs sobre o que fazer, como se relacionar, o que é amar, o que é sexo bom e etc. Muita gente falando, muita gente vivendo? No mundo ideal (virtual) tudo é possível, menos a realidade. 

quarta-feira, 2 de março de 2022

A insustentável irresponsabilidade do ser

          Eu tô meio borocoxô... E nessas horas eu escrevo. Escrever pra mim é existencial e é terapeutico. Nessas horas geralmente eu procuro meu blog de poesias, que me permite "palavras sem sentido"...Sentido seria algo como, onde se quer chegar. Mas a minha necessidade existencial de hoje é chegar em algum lugar, porque às vezes, e bem mais ultimamente, a falta de sentido tem me gerado angustia. Preciso encontrá-lo, mas por quê? "Pra quem não sabe onde ir, qualquer caminho serve". Eu sei bem onde quero chegar, fiz esse roteiro, esse "projeto de vida" ontem. Meus chakras estão alinhados, minha casa está limpa. Meu filho há pouco disse que me ama.  Ainda assim, de onde vem essa angústia?

       Busquei a etimologia da palavra angústia, uma pesquisa muito bem embasada do top do google... É o que tem pra hoje. Sofrimento. Do latim, estreitamento, aperto. Sinto um aperto na garganta. Por isso, pra desatar o nó, escrevo. Há poucos dias tive uma infecção, ainda tomo antibiótico, pra boa leitora do psicossomático, faltou-me expressão, mas expressar o quê? 

       Vou percorrer alguns caminhos ainda sem saber bem porquê eu preciso de uma explicação, e, diga-se de passagem, uma explicação pública. O aperto é real, nó na garganta. E um quase choro me vem numa respiração profunda. Donde vem?

       Eu quero respostas, mas no fundo, a vida é feita de perguntas. Tenho pra mim uma filosofia existencial que forjei na minha vivência: no fundo, a gente sabe as respostas. Mas nem sempre as aceita. Cabe então a saga da eterna busca das perguntas certas. 

      Frustração. Com o quê? Encontro caminhos, eu sei as respostas. Quais seriam as perguntas? Seria eu tão mesquinha a ponto de estar borocoxô por conta de alguém? O mesmo alguém denovo? Eu sei a resposta, isso é sintoma, não é a causa. Nunca estamos assim por conta de alguém. Eu sei a resposta. Eu sempre sei a resposta. Só não sei se já fiz a pergunta certa sobre essa questão. E se eu já fiz, eu já sei qual é a frustração. Mais frustrante do que não saber o que fazer é não ter o que se fazer. A não ação, por incrível que pareça, é mais difícil que a ação. Aceitação. Habilidade a se desenvolver. Uma ariana nasceu pra ação. É ousado desafiar nossa própria natureza. Mas eu escolhi assim (devo ter escolhido, prefiro acreditar que sim). Qual a pergunta certa? Haveria escolha?

        Trabalho. Outro caminho. Mesma resposta. Frustração. Com o quê?... Não sei se quero falar sobre isso. Mas eu talvez também saiba a resposta. Por que essa necessidade de perfeição, por que tanta autocobrança? Talvez a resposta seja a mesma, muito cabe à minha ação neste caso. Muito não cabe à minha ação neste caso. E não tá tudo bem. Mas eu tenho que lidar. Porque eu gosto de conseguir pagar os boletos. E realmente adotei a máxima "prefiro ter paz do que ter razão". E daí eu poderia tecer uma longa conversa sobre o neoliberalismo e essa filosofia do fim, onde apenas o capitalismo é triunfante. Não mudaria minha realidade factual atual. Foi muito doloroso o caminho até essas conclusões, voltar atrás seria voltar num caminho de dor e eu escolho não voltar a percorrê-lo (a tortura simbólica de coagir a si mesmo da era contemporanea? Quem sabe...Dessa resposta não tenho tanta certeza, pode ser só uma birra da minha criança interior frustrada por ser contrariada. Pode ser as duas coisas). Qual a pergunta certa? Haveria escolha?

        Guerra. Seria eu tão empática ou tão hipócrita? Incomoda-me de fato a guerra ou o fato de que viver na minha bolha não me faça me incomodar de verdade com a guerra? Ou talvez eu esteja fugindo de informar-me sobre o fato, numa alienação consciente pela qual tenho optado nos últimos anos, principalmente depois da distopia da realidade br, em nome da minha saúde mental. Eu sei a resposta: toda guerra é absurda, embora esse fato apenas beneficie os senhores das guerras que com elas lucram a despeito de qualquer escrúpulo. Qual seria a pergunta certa? Haveria escolha?

        Haveria escolha? Não havê-la é vitimismo. Havê-la é pesada responsabilidade. Seria essa a "insustentável leveza do ser"? 

        A verdade é que eu gostaria de ser irresponsável e a maturidade tem a insipiente necessidade de me roubar isso. 

        Sim, escrevi tudo em primeira pessoa do singular. Não ousaria chamar a mais ninguém de imaturo e irresponsável. 

        Se não faz sentido, ao menos percorri algum caminho, o nó na garganta diminuiu. A pergunta certa talvez seja aquela que a gente nunca faz. Quem sabe na minha morte eu me encontre com as questões verdadeiras e seja esse o fim. Minha terapeuta sempre me fala que eu procuro por um desfecho e uma completude que só é possível no fim. Talvez até o fim nada faça sentido, o sentido se faz no fim, quando olhamos pra trama inteira. 

        Qual a pergunta certa? Não faça perguntas! É mais responsável  e mais seguro ter todas as respostas sem questioná-las!


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Quase sem querer, como nossos pais

         Reparo que sempre começo sem saber muito bem o que vou dizer e fico a enrolar o primeiro parágrafo divagando sobre os temas possíveis... Vou seguir a receita, é o que pra mim funciona. Abro a geladeira e vejo os ingredientes aleatoriamente esperando serem cozidos e de repente tenho um prato bonito e saboroso à minha frente. Essa é minha vida. Eu já tentei seguir cardápios e receitas e ter tudo bem organizado à frente, mas no fundo o que funciona mesmo é minha bagunça organizada, essa espécie de planejamento com improviso, e, voilà, lá se foi um parágrafo inteiro em que parece novamente que nada eu tenha dito nem saiba ainda sobre o que vou dizer... Eu chamaria isso de contemporaneidade, pós-modernidade, modernidade líquida... Essa junção de tudo e nada que dá em alguma coisa.

        É muito barulho, né?! Nas redes sociais, na vida, na avenida. Até nos rolês good vibes, cachoeiras, praias e afins. Tá superlotado. A vida, a mente da gente. Nesse barulho todo fica difícil de recolher as palavras que são só nossas, de se recolher. E será que isso é possível? Palavras só nossas. "Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas". Vivemos talvez a época dos diferentões que nunca foram tão iguais. A gente quer ser muito original, mas a gente compartilha a vida e as vivências e em algum momento estamos ali, denovo, repetindo padrões e modelos. Isso seria um problema?... Acho que a vida é essa dialética (eu ia dizer paradoxo, mas posso usar dialética, porque uma coisa de forma alguma anula a outra, não sendo senão complementares), a vida é essa dialética entre o que é nosso, o que é do outro, o que é só meu, o que é de todes. É velha história, sempre tão atual, do grão de areia, da gota do oceano. Ou, para melhor ilustrar a quem a vaidade caiba, como pra mim faz todo sentido, do fio de cabelo que é apenas um fio de cabelo, mas deixe cair seus fios de cabelo para ver a falta que fez e como são importantes. 

        Mas a gente vive essa urgência do diferentão, como se um único fio pintado de laranja pudesse fazer diferença num cabelo inteiro. Talvez minha inquietação de escrita sendo protelada (porque faz tempo que estou para me sentar aqui e digitar algumas linhas...) esteja contaminada por essa necessidade de que um texto num mar de informações desse mundão da internet de meu deus seja diferentão o suficiente... Para o quê mesmo?... Ahhh... Likes e compartilhamentos, necessidade de aprovação de outrens... Ahhhh essa poha de necessidade de aprovação, insanidade nossa de cada dia... Mas que também não é tão diferentona, porque a história da humanidade se faz dessa necessidade de aprovação externa, antes uma validação familiar, comunitária, de se estar dentro de determinados padrões, hoje uma necessidade de validação do não se estar subjugado a padrão nenhum, como se isso fosse possível. "E o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém". 

        E no começo disso tudo eu só queria falar sobre essa necessidade que os discursos de internet tem ultimamente de regular a vida, regular empoderamentos, diminuindo o outro: ele não te merece, é muito raso pra quem precisa mergulhar profundo, e etc, etc, etc. Que no fundo só camufla o quanto nos sentimos impotentes diante de situações onde não temos o mínimo controle (e geralmente não temos o mínimo controle de poha nenhuma, mas enfim...), que implicam o querer, o desejo, a vontade do outro. E quando colocamos isso no campo dos afetos, é o lugar mais doloroso de se estar pra nossa criança interior birrrenta, tenha ela sido ou não amada pelos pais, porque é o lugar onde todas as regras coercitivas já foram quebradas, nada mais obriga o outro a estar com você na contemporaneidade. No seu trabalho, condomínio, hostel, partido político, igreja, família, qualquer instituição tem laços determinados por regras claras. As regras do afeto e da troca amorosa do século XXI foram quebradas e a gente não sabe mais o que fazer com isso, então, optamos por diminuir o outro que não sabe escolher bem, que não é bom e grande o suficiente pra assumir a minha intensidade. Essa necessidade de aprovação alheia que não entende por que eu coloquei uma melancia na cabeça e mesmo assim ele não olhou pra mim, deve ser porque ele está cego e não enxerga direito, e não simplesmente pelo fato de que ele não quis, porque no campo dos afetos agora a gente pode não querer, sem mais explicações. 

        Esse não saber o que dizer, talvez venha desse pacote do não saber o que fazer. E isso é um negócio doido num mundo que espera que a gente saiba, seja decidida, tenha projeto de vida, faça escolhas maduras! Você sabe, você pode, yes, we can! Só que não. A gente é processo. Tem horas que sabemos, tem horas que não. Tem horas que podemos, tem horas que não. Tem horas que a gente é diferentão, descoladão. Tem horas que a gente é careta e "ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.". Vou citar minha terapeuta: e tá tudo bem. 

domingo, 29 de agosto de 2021

Sommelier de anzol

         Vou falar de não sei bem o que... Ou melhor, eu sei, apenas não tenho certeza sobre saber expressar isso... É uma verbalização que nasce de uma angústia, e essa angústia quer se fazer ideia em carne, osso e voz, ou melhor, em palavras, linhas e vozes...

        Vivemos tempos confusos... Talvez eu precisasse estudar anos para articular o que quero aqui, mas vou usar do atrevimento geracional que me permite dizer sobre algo sem pesquisar afundo por anos a fio... Embora seja fato que por paixão e por ofício, estudar faz parte da minha existência desde sempre, embora no momento não o faça institucionalmente ou oficialmente...  

        Existe, é fato, uma Guerra Fria cultural, que persiste fragmentada nos discursos... É como se não pudéssemos pensar em outras possibilidades de mundo, embora falar isso me cause um profundo arrepio de que se pareça uma defesa de uma "terceira via" falaciosa e com interesses duvidosos que tenta se construir no Brasil contemporâneo... E talvez essa seja a questão... Tem sido um risco arriscar ideias que não sejam utilizadas utilitariamente a serviço de algo ou de alguém... Ideias que se permitam ser exercício de pensamento, embora, não seja inocente de acreditar em ideias neutras. Minhas ideias factualmente são "à esquerda" - obviamente por ser mulher latina, periférica, professora e descendente de indígenas - de todo um pensamento tradicional em termos de uma visão judaico-cristã ocidental capitalista, neoliberal, eurocentrada e brancofálica. Todavia, isso não sei se pode ser conjugado à uma esquerda tradicional que por vezes cai em brancofalocentrismo... Enfim... Não me quero classificar e não sei se esse é um bom começo.

        Existe uma necessidade das almas de ultrapassar tudo isso. Como pesquisadora de Nelson Rodrigues que fui por uma década, a frase que mais me marcou foi uma em que o autor brasileiro dizia que sua única crítica a Marx fora que este havia lhe tirado a vida eterna. Confesso que Nelson foi responsável por uma crise no marxismo ortodoxo dos meus 20 anos... Embora um machista do seu tempo, o que muito me ojeriza. E me deixa em crise de estar sempre a dialogar com esses homens brancos donos das ideias e que "precisam" figurar nos debates, irritantemente. 

        Enfim... É sobre isso. Temos alma. A cultura brancofálica nos tirou a alma eterna. E hoje, vazis e vivendo outra vez (ou continuamente) o mal do século dos adoecimentos mentais e emocionais, buscamos tapar esse vazio existencial que nos havia levado a alma embora. Afinal, o deus do Capital é o dinheiro. E absolutamente nada tenho contra o dinheiro, apenas tenho contra colocá-lo no lugar de deus. 

        Entramos neste ponto numa outra questão. A arbitrariedade brancofálica em associar deus necessariamente ao deus das religiões judaico-cristãs. E novamente, e principalmente em relação ao Cristo, nada tenho contra, inclusive, suas palavras e os livros que lhe referem são de uma beleza ímpar. A questão é o que a cultura brancofálica fez dele e do deus jadaico cristão em nome de poder e em benefício próprio, subjugando mulheres, povos e modos de vida.  

        Logo, negar à arbitrariedade dos representantes desse deus judaico-cristão levou-nos a negar a própria divindade e a existência de nossa própria alma. Negação essa que, como descendentes de povos originários e africanos, nos nega nossa própria existência enquanto herdeiros culturais desses povos, que não separam seus modos de vida de sua divindade. Tornamo-nos zumbis desalmados, buscando preencher-nos de tudo que é externo para saciar nossa falta de alma. 

        O Capital que tudo assimila, mastiga e regurgita reformatado, fez o favor de tomar conta disso. Num primeiro momento, preenchendo-nos de produtos materiais e simbólicos que poderiam quiçá preencher esse vazio: religiões não-católicas (plenas de salvação e de sucesso financeiro não condenado como usura); entorpecentes legalizados e não legalizados (morfinas para tapar a dor insuportável de não se ter alma); comida como produto (afinal, é preciso preencher, pôr pra dentro, tapar o buraco); lazer (ser feliz é o que importa, nem que seja às sextas feiras, férias e feriados); relacionamentos e sexualidade (o vazio afetivo e sexual, moral ou imoral); e, a última moda do momento, terapias e terapias. 

        Sou profundamente adepta das terapias. É preciso pontuar. Mas a mercantilização da cura, é preciso admitir, é um negócio rentável. Haja visto que a cura enquanto mercadoria não possa ser uma cura definitiva, afinal, o que se faria sem clientes? Passamos à impermanência da satisfação pessoal. A ideia de eterna imperfeição e de que haja sempre o que se melhorar, passamos então, à mercadoria em si: a mudança. O produto da moda à venda é a mudança. Afinal, haverá sempre o que se comprar se eu estiver sempre disposta à mudar. E, caso a vida esteja um caos, eu preciso mudar, é minha inteira responsabilidade. 

        Talvez o que eu queira dizer aqui seja sobre a adaptação do Capital à urgência de uma visão diferente da judaico-cristã. A ideia de começo, meio e fim (dos tempos), foi adaptada a contribuições orientais, como a ideia de impermanência e de que a mudança é a única realidade da existência. A concepção de "fique calmo, nada está sob controle" a não ser o controle dos algoritmos e dos sistemas bélicos. O foco em mudar a si mesmo antes de querer mudar o mundo surge como algo onde se espera que não se almeje mais mudar o mundo, apenas a si mesmo. O conceito de aceitação da vida vem embalado na aceitação do sistema vigente.

        Estamos confusas e confusos em meio a tudo isso. Porque, como eu disse, o sistema mastiga e regurgita tudo como se fosse uma linda borboleta androide. Ele se apropria das nossas angustias e apresenta soluções de acordo com os nossos desejos para que não desejemos mais nada... No melhor estilo: cala a boca e fica quieto, contente-se com o que você tem (mais uma inversão aqui do valor da gratidão...). Ou quem sabe, não pense em nada... (uma inversão do valor da meditação...). E assim por diante. 

        Conclusões?... 

1. Temos alma, senhores desalmados. E nada conseguirá tapar este vazio a não ser o re-conhecimento dessa alma que vos habita;

2. Sim, podemos ir além da Guerra Fria, quando formos além da ideia de poder. A questão do Capital não reside no dinheiro, reside no poder. A título de Br, o risco da "terceira via" está justamente nessa questão...

3. "Mano, crer que o ódio é a solução é ser sommelier de anzol", já disse Emicida;

4. Espiritualidade é um discurso em jogo, a última moda. Mas não é balela. Aos adeptos do brancofálico discurso de "ópio do povo", recomendo repensar à luz de culturas não-europeias esse conceito.

5. Espiritualidade sem crítica social é alienação das brabas. É ego. É tipo: se tá tudo bem pra mim, então, tá tudo bem. Não é cristão e nem é búdico (citando matrizes que trabalham com a ideia de indivíduo).

        Não foi fácil nem sei se foi compreensível, mas foi catártico e a angustia amenizou.


sexta-feira, 30 de julho de 2021

Sobre amor, desvalorização e expectativas irreais

       Como isso está difícil... E olha que me expressar sempre foi meu forte... Eu iniciei e apaguei...  Sinto que me devo um texto de 2021... Mas... Falar de política e de morte parece que, além de não ressoar mais comigo, vai encontrar com a dor de muita gente e não me sinto neste direito neste momento tão delicado. Mas uma coisa fica, de tudo que eu tinha dito, como temos uma dificuldade enorme de lidar com a maior realidade da existência terrena, a morte. Eu decidi então falar de amor, mas de uma forma que, de alguma forma, dialoga com essa questão da morte. A nossa necessidade de fazer oposição entre as coisas, compará-las e diminuir uma, para então poder dar valor à outra. 

    O amor não escolhe. Amor ama. 

    A morte não escolhe, a morte é. 

    A vida sem a morte não faz sentido, porque ela não existe, é a realidade, o fato. Se eu desvalorizo a morte, se eu banalizo a morte, eu banalizo a vida, e vice-versa. A vida é preciosa porque a morte existe.

    Talvez, além de sobre amor, eu queira na verdade falar sobre dar e receber valor. Amar é também sobre isso. 

    Tenho ficado incomodada com discursos prontos de superação que tendem sempre a desmerecer o outro. É como se a gente precisasse sempre competir, e algo tivesse sempre que ter mais valor que outro para ser validado, amado, querido. A gente permitiu que a lógica capitalista nos permeasse em tudo. 

    Então, eu desmereço a vida que eu tinha antes porque a de agora é melhor. Eu desvalorizo a pessoa que eu fui. Eu preciso sempre ser algo melhor com medo de me desvalorizar, como trocar de carro. A mudança é sim algo permanente e imutável, a realidade mais constante da vida. Porém, ser sempre diferente não significa necessariamente ser melhor ou pior. Ter momentos melhores ou piores faz parte justamente do equilíbrio e desequilíbrio do caminhar. Mas a gente tem uma ligação muito forte com o "Happy and", as fotos do antes e depois, a ascensão na vida, a obrigação da felicidade e da perfeição.

    É exatamente por isso, por fazermos isso conosco, essa série de expectativas irrealizáveis sobre uma vida perfeita que na verdade já existe, perfeito é estar vivo, logo, essas expectativas são irrealizáveis porque estão sempre no devir, e a busca constante pelo devir é o combustível da ansiedade e da depressão (essa na verdade, ocorre quando valorizamos o que fomos, a vida que tivemos, o que foi perdido. Novamente, um valor comparativo entre um antes e depois). Ou seja, o valor nunca está no agora, nas coisas como são neste exato momento. 

    Quando eu digo que me amo mas não valorizo quem eu sou hoje, nem o espelho acredita. 

    A mesma lógica vale para outras pessoas. Afinal, aquilo que fazemos a nós mesmas é o que temos a oferecer pra outra pessoa. Só posso amar a pessoa como e pelo que ela é, não pelo que foi ou pelo que espero que seja. Se espero que ela seja sempre quem não é, espero sempre que ela mude, não a valorizo e amo de verdade. 

    Socialmente falando, estamos num momento complexo enquanto mulheres. Esperamos por homens diferentes do que eles de fato são. Isso porque temos lutado por mudanças nas desigualdades que vivemos e isso é perfeitamente legítimo e necessário. Mas pessoas não são produtos. Não tem como colocar na máquina e reprogramar de uma hora para outra. Ou assumimos uma solidão geracional, ou aprendemos a ama-los como são agora. 

    Obviamente, minha fala não é sobre aceitação de violência. Em qualquer situação. 

    Mas quanto ao restante do muito que esperamos em diversos aspectos, ou a gente aprende a amá-los em processo, ou a gente assume a solidão, porque a vida não é como a gente gostaria que fosse, ela é como é.

     E na verdade, isso é sobre eles também, que precisam aprender a se amar em processo. Aprender a se amar inclui autovalor e autocuidado também. Cuidar da saúde, colocar uma camisinha não porque a mina quer, mas por respeito a si mesmo e à própria saúde. Não transar sem estar afim, não se sentir obrigado a sempre estar afim, respeitar os próprios nãos é um passo necessário na aceitação do não alheio. Já pararam pra pensar que os homens não respeitam os próprios limites, por existirem numa sociedade do Superman, e, assim sendo, muitas vezes mal entendem o que é limite? Isso não justifica absolutamente nada, é importante reforçar, nenhuma forma de violência tem justificativa. Mas serve à reflexão, já que sem consciência, não existem mudanças reais. 

    E enfim, isso tudo é sobre amor. Sobre amar a perfeição do imperfeito. Porque esse ideal que projetamos só serve para nos desvalorizarmos diante do que somos aqui e agora, perfeitos, porque somos o melhor do que podemos ser, sempre. 

    E quer saber? As pessoas nos dão o melhor do que tem pra oferecer, sempre. E é sobre isso. Era o que eu tentava dizer. Porque diminuímos o que temos para nos oferecer diante do espelho hoje, porque vivemos frustrados com nossas metas inalcançáveis e inatingíveis e não nos damos o devido valor, metralhamos desvalorização ao nosso redor. O que o outro tem a nos oferecer nunca é suficiente. Porque ninguém tem como tapar o vazio que nos deixamos. Então, estamos cheios de frases prontas como: eu mereço mais. Merece, de quem? Sim, de você mesma; mas sabe, isso é cruel até consigo mesma, porque você está fazendo o melhor que pode, e, acredite, cada um e cada uma está fazendo o melhor que pode. Muitas vezes a pessoa está te oferecendo o melhor de si mesma e você não sabe tomar desse amor, porque suas expectativas são irrealizáveis, até pra você mesma. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Ensaio No Sense 2020

           28 de dezembro de 2020. Como uma boa escritora, eu preciso falar alguma coisa sobre essa porra toda... Não porque eu ouse impactar a humanidade com minhas palavras únicas, apesar de meu ego adorar essa ideia, e, eu também gosto de satisfazê-lo, diga-se bem a verdade, faz parte da existência. Talvez por essa ilusão, ou por um colapsar de ideias que precisa sair, ou pela simples satisfação que o ato de criar algo traz ao chakra sexual, essa potência de vida e o tesão associado ao tentar procriar. 

          Sim, minha vida, como a de muita gente ultimamente, também virou um misto entre a ciência social, a literatura das redes e a linguagem holística... E sabe, eu não acho isso perjorativo, tampouco acredito que qualquer desses elementos, aspectos, visões, ser/estar no mundo é o que nos salvará a nós, humanidade. Dizem que há 2020 anos um cara morreu torturado, justamente fazendo isso, salvando-nos. Se pá não entenderam ainda que desde então não precisamos mais de salvadores da humanidade. A ideia, era tipo, que a partir de então, cada um seria capaz de salvar a si mesmo. 

          É tão doido como pra mim hoje discursos de coletividade me soam barbaramente (essa expressão não está aqui à toa...) egoísticos. Essa ideia de que o outro precisa de mim e da minha luta para ser salvo... E, mano, eu nem de longe tô pensando em individualidade, porque não existe vida individual. Eu, com MEU emprego, MEU nootebook, MINHA formação acadêmica, no MEU apartamento, SOZINHA, tô tão sem vacina quanto todos brasileiros e brasileiras que votaram ou não na bozolândia (histórico de ascensão que começou na geração Tiririca, é preciso afirmar). 

          A questão é que a vida além da minha vida impacta na minha vida. Fato. Não existem muros, grades ou mares que consigam desfigurar essa realidade. Galera há 520 anos tava aqui de boa, uns maluco com o discurso civilizatório atravessam  o mar e trouxeram várias gripezinhas. Mas, como disse o Brecht, a gente só se dá conta quando fode a gente. 

          Defender causas, é defender-se. Muitas vezes, está mais ligado a não conceber perder um lugar de fala. Vou defender o outro, pobre coitado, porque eu preciso sair nessa foto, falar esse discurso, não calar minha voz, para que não doa a minha garganta sobrecarregada de emoções minhas com as quais eu não sei lidar... Seguimos diminuindo o outro, para assegurar o próprio lugar na existência, como se isso fosse necessário... Vidas sem sentido, na verdade. A gente é meio a Alice, procurando significado no sonho. Só que o sonho é o próprio significado da existência do livro. 

        Não faz o menor sentido tudo que eu falei, né gente?! Então, isso é 2020!

        Fez TODO sentido, em meio à falta de sentido?! Então galerinha, isso é 2020!

       Um rolê aleatório. 

       Mas eu tô de férias no meu apartamento, com salário pago, depois de trabalhar em home office. O meu 2020 foi good vibes. Eu descobri que todo tratamento pra ansiedade que eu vinha fazendo há anos, teve efeito. Estou plenamente grata e com saúde. Porém, fiquei sem ver a família, que boa parte é do grupo de risco.  

        Riscos, que tivemos que assumir. 

        A gente é tão bom de julgamento. Criticando quem foi pra praia, trabalhando em home office, enquanto o cara tava indo trabalhar de busão lotado o ano todo... O óbvio é a bosta que está na presidência. O que pega mesmo é descobrir em que momento contribuímos com a situação que estamos vivendo. 

         O que me motivou na verdade a sentar e escrever foi uma postagem sobre tirar pessoas tóxicas da vida... A gente se especializou em eliminação, mas a vida não é Reality Show. A gente desenvolveu uma síndrome de Economia dos Afetos. Só que o voto do eleitor do bozo vale tanto quanto o seu. 


quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Juízo Final

           Vira e mexe eu tenho conversas lindas com meu filho. Nessas horas eu me lembro do livro sobre Sofia, em que ela fala sobre nossa capacidade de olhar o mundo como criança. Esses dias ele completou 8 anos. É a idade do Chaves! rs... Mesmo rir por nada completamente sem sentido... E é lindo. Quando me perguntam se sinto saudades do bebê, eu sei que sinto do cheiro. Mas eu sempre o amei exatamente como ele é, na fase da vida em que está, em que estamos. As conversas nas refeições ou antes de dormir. As conversas depois do silêncio onde o coloco para que pense sobre o que aconteceu, quando olhamos um nos olhos do outro. 

          A última novidade são as conversas a respeito da composição familiar. Entre lições da escola (que nem sempre fazemos no atual contexto pandêmico), desenhos (que ele mesmo literalmente "controla", num senta e levanta do sofá e seleciona, pausa, na tv), a oração aos antepassados que fazemos, e entre sua própria vivência cotidiana, ele aprende as nomenclaturas, às vezes me lança perguntas como se eu conheci seu tetravô... Temos a sorte de ter uma boa relação depois de alguns anos de separação, eu e o pai, e disso, ele tirou a conclusão de que as pessoas têm filhos com amigos... Eu achei uma ideia linda. Se eu tivesse que dar um conselho a alguém, eu diria exatamente isso, tenha um filho com um amigo. A amizade é a relação não sanguínea mais sagrada que existe, o amor mais puro e verdadeiro. Ela dispensa contratos e status. A amizade simplesmente é. 

          Afinal, expliquei-lhe que, apesar de hoje amigos, um dia fomos namorados. Mas ele decidiu (com toda sua maturidade de 8 anos...) que não quer ter filho com namorada... E me perguntou se poderia botar um ovo (sinceramente, não lembro quando tinha sido a última vez em que eu tinha rido com profunda verdade, não era um rir dele, era um rir de alma da pureza das concepções e perguntas genuínas, e isso é tão mágico. Acredito que esse texto também seja uma necessidade de se eternizar esse momento). Enfim, tive que lhe dizer a mais pura verdade desta vida: apenas as mulheres são capazes de gerar uma nova vida nessa nossa existência humana. Sem mulher, sem filhos. Falamos sobre adoção e agora ele acha que pode adotar dois ou mais filhos... E cuidar sozinho. Tenho tentado argumentar que criar uma criança sozinho é um desafio e tanto... E que também não é muito provável que lhe concedam a guarda de crianças para que cuide sozinho. 

          Sabem... Eu nunca, nem de longe, me imaginei tendo essas conversas. Não sei se imaginam a profundidade disso... Me faz pensar no quanto a vida gera vida... Ele me fez acordar para o fato de que um dia eu possa vir a ter netos... Essa é realmente uma parte muito bonita da maternidade. Mas eu sei que sou uma privilegiada. Infelizmente. Pelo fato de o pai dele cumprir com sua responsabilidade de pai e de ter sempre partilhado dessa responsabilidade comigo. E, na verdade, eu nem queria ser mãe. Mas o pai sempre quis ser pai. E ele é um lindo acidente hoje, mas foi um acidente terrivelmente assustador. Eu chorei muito e demorei a aceitar. Porque a sociedade é cruel com as mulheres e a maternidade é um misto de beleza e solidão. Ser mulher é um misto de beleza e solidão. A solidão das deusas. 

          Essas conversas com meu filho me fazem nutrir a esperança de que a geração vindoura seja menos estúpida com suas mulheres e com suas crianças. Seja feita de um masculino cuidador que assume a responsabilidade por sua própria vida. Que assume responsabilidades. 

          Porque, eu não consigo ver um único culpado no caso de violência sexual que tomou as mídias esses dias. A vejo sendo violentada em seu julgamento, por três homens. E, eu me pergunto, como é a vida das mulheres que vivem com esses homens? 

         Pra que eu pudesse dar à luz um ser humano masculino que apresenta se construir tão diferente desse masculino brutal com o qual convivemos, eu precisei da vida de muitas mulheres que sofreram inúmeros tipos de violência nas vidas que viveram. Muitas talvez nem tivessem consciência sobre serem violentadas, mas com certeza sabiam que sentimento horrível é esse. Deitar com o marido na cama e se sentir obrigada a servi-lo. 

         Poderíamos falar sobre poder e dinheiro. Mas a triste realidade é que a cultura do estupro suplanta questões de classe e de raça (sem menosprezar isso), mas ela perpassa tudo. Perpassa esse ódio às deusas da vida e da morte. As únicas capazes de gerar vida. As únicas capazes extinguir uma linhagem por decidirem não procriar. O ódio diante da impotência. O ódio da besta primitiva. O ódio que se vinga diante de todo feminino. O impotente que precisa se utilizar do corpo feminino pra se sentir vivo. Talvez seja o apocalipse zumbi, desses homens sem alma. Que seja. O juízo final dessa gente. 

Bruta realidade

      Ahhhh faz tempo... Faz tempo que não escrevo por aqui... Haveria um motivo?... Talvez a dificuldade em ordenar racionalmente as ideias...