Eu sei... Em tempos como os nossos, tecer autocríticas pode ser deveras complicado, não à toa gritava Renato Russo: não use o que eu disse contra mim!
E possivelmente, num momento como este, o que se diz em sentido de autoanálise coletiva publicamente poderá ser usado contra a gente... Mas vou aqui do alto das minhas menos de 20 visualizações por publicação correr esse risco...
E... por onde eu começo e como eu vou dizer isso...
A verdadeira ciência, o instinto investigativo, precisa de dúvidas. A ciência comercial precisa de certezas. E isso em si já é contraditório... Quando a indústria farmacêutica tem ramificações na indústria alimentícia e ambas bancam centros de pesquisa, há algo de podre no Reino da Dinamarca...
Isso não desmerece a pesquisa científica como um todo, mas a tira do lócus de mérito do status de verdade absoluta, não façamos isso, tem potencial de transformar a descoberta de uma teoria incrível numa bomba atômica...
Já os saberes populares, seguem ignorados e marginalizados... Acredita que o minino curou da garganta com a reza de Dona Benedita? Se tu não acredita, entendes muito pouco da vida, a despeito de todo diploma que tenhas.
É difícil de convencer as pessoas da importância da Acadêmia, quando esta está muito pouco afeita a descer de seu pedestal para viver a vida das gentes comuns. A despeito de todo debate acadêmico sobre a Norma Culta, quem entrou pelo seu rádio, tomou, cê nem viu e foi parar no vestibular, não o fez usando-a. De fato, uma coisa alimenta a outra, não fosse o interesse acadêmico, o grupo lá não estaria sob o status de literatura. Mas, não tenha dúvida, nunca foi a Acadêmia que lhe pagou as contas... Isso ela faz por muito poucos, no nosso país.
E se não encaramos isso, não entendemos porque os cortes incomodam tão pouca gente e porque os discursos sobre terraplanagem convencem tantos outros...
Óbvio está que muitos dos que usam e compram desses discursos, assim como quem pratica tais cortes o faz pelo ranço da pura inveja, de quem por poder aquisitivo poderia ter estado nesses lugares mas não conseguiu. Tão triste a ignorância manca que não entende nem nosso estado de Corte que jamais lhes permitiu estar lá. Isso aqui desde sempre foi feito pra poucos, pouquíssimos. O valor da corte, meu nobre, está no título, na diferenciação, não no que é para todos (muito menos pra todas). Sem cortar as cabeças das mais de 80 famílias que tomam a cadeira do Congresso por capitania hereditária, jamais seremos uma república, oh, falsos republicanos.
Óbvio também está que... Foi um dos poucos momentos na história (e... nunca antes na história deste país...) em que se teve um maior acesso ao Ensino Superior e ao desenvolvimento de pesquisa e e tecnologia br. Ou seja... Os cortes têm gênero, têm raça, têm classe social. A universidade se parecia cada vez menos com o estado atual dos três poderes, tinha cada vez menos a sua cara, e "Narciso acha feio o que não é espelho"... A Corte tem medo da Bastilha (ficam estudando pelo youtube e pouco sabem que o que a gera é a falta de brioches...).
Pouco entendem, e entendem menos e menos ainda de Economia... Sem injetar dinheiro na própria classe média (que disparadamente ocupa as cadeiras da pesquisa neste país, apesar das manchetes do filho do pedreiro sendo doutor depois de dez anos pegando três ônibus...), de onde virá o dinheiro que circula?... Classe média empobrecida é a bancarrota de qualquer Ecônomia. Ela tem boletos intermináveis no portaluvas do seu carro novo... E só ela não sabe que depende do salário (bolsa) no fim do mês...
Oh nobres, sinto dizer que um texto que deveria falar da Nobre Ciência acabe por falar (amadoramente) de Economia... Sinto muito rebaixá-la dessa forma... Tirá-la de seu nobre status. Quisera eu que ela nada devesse à estrutura econômica das coisas... Não sei mesmo de onde foi que tirei essa ideia...
Mas é preciso estar alerta com o status da Ciência. Ela NÃO É NEUTRA. Embora as críticas hoje a ela sejam obscurantistas e de mau-caratismo puro. Se o discurso cola é pq, volto a dizer, há algo de podre no Reino da Dinamarca... E o estatuto da pesquisa atrelado aos interesses de GOVERNO e não de Estado, de interesse da sociedade, das comunidades, é deveras das coisas a mais se observar.
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